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Vinhos

2013/07/11

Sint_Vinhos

Review escrita por: Rafael Pires

Sinopse:

Quando jogamos o Vinhos temos a oportunidade de cultivar vinhas, produzir vinho, vender o nosso produto em Portugal e no estrangeiro e podemos também apresentar o nosso vinho a concursos em busca de fama e prestigio. No fim, ganha o jogo quem após 6 anos (turnos) de produção de vinho consiga obter mais VP’s.

Se tivesse que descrever o Vinhos em poucas palavras diria que é um gamers game, pesado, complexo, imperdoável e difícil de explicar a novos jogadores, mas diria também que é provavelmente o eurogame em que o tema está melhor integrado nas mecânicas de jogo, que dá uma satisfação enorme em jogar e … caramba é de um designer Português e é sobre Portugal.

Como se joga:

Em resumo, eu diria que é um worker placement com uma espécie de rondel (apesar de ser quadrado) e com mais um conjunto de mecânicas auxiliares variadas (maiorias, card drafting e set collection), mas bem ligadas.

Este é provavelmente o jogo que conheço que é mais difícil explicar, razão pela qual só vou descrever o fluxo do jogo sem entrar nos pormenores de cada opção.

O jogo dura 6 anos de produção o que equivale a 6 turnos.

O marcador de turno indica a passagem dos anos e as diferentes fases do jogo em cada turno.

Em cada turno existem as seguintes fases:

Início do Ano

Cada ano começa com a previsão meteorológica para esse ano, o que irá influenciar a qualidade do vinho produzido nesse ano. Este factor faz aumentar a variedade e a jogabilidade de uma forma muito interessante e temática.

Acções

Em cada ano, os jogadores irá fazer 2 acções de 9 disponíveis, utilizando uma espécie de rondel para determinar a acção e irá pagar uma moeda a cada jogador que já esteja nessa acção e mais uma ao banco caso o marcador de turno esteja nessa acção também.

As opções das acções são as seguintes:

1) Comprar vinhas – é essencial para produzir o vinho mais tarde.

2) Construir vinícolas – vai aumentar a qualidade do vinho produzido.

3) Contratar enólogos – vai aumentar a qualidade do vinho produzido.

4) Construir adegas – vai prolongar o prazo de validade e aumentar a qualidade do vinho produzido.

5) Vender vinhos – é essencial para gerar bagos (dinheiro).

6) Exportar vinhos – vai servir para ganhar prestígio (VP’s).

7) Contratar peritos – fazem algumas habilidades e ajudam também a valorizar o vinho quando apresentado à feira.

8) Gerir o dinheiro – Serve para levantar e depositar dinheiro e fazer investimentos.

9) Passar e/ou anunciar com que vinho vamos concorrer à próxima feira de vinhos

Adicionalmente é possível ter uma acção adicional por turno, caso os Empresários da Feira estejam agradados com o vinho que apresentámos na feira e mediante uma oferta de vinho.

Manutenção

Nesta fase são pagos os salários aos enólogos e são calculados, pagos ou recebidos (pode ser positivo ou negativo) os resultados dos investimentos.

Produção

Na fase da produção, que ocorre todos os anos, os vinhos actuais movem um espaço para a direita indicando assim o seu envelhecimento, fazendo com que a nova produção entre o mais à esquerda possível do armazém ou da adega.

Os jogadores recebem um marcador de vinho por cada propriedade no seu tabuleiro individual que tenha pelo menos uma vinha (excepto quando a qualidade do vinho seja zero), sendo que a qualidade da produção depende do número de vinhas, vinícolas e enólogos na propriedade e das condições meteorológicas desse ano.

Feira de Vinhos – ocorre no final do 3º, 5º e 6º ano

Caso os jogadores não tenham apresentado nenhum vinho à feira através das acções do ano, no início desta fase são obrigados a apresentar um vinho. Quanto melhor for a qualidade do vinho apresentado, maior o número de peritos que podem ser jogados para influenciar os resultados da feira, que são jogados através de escolha em simultâneo (ex: punho fechado).

No final do jogo, ganha quem tiver mais VP’s, que podem ser obtidos de diversas formas, nomeadamente na exportação de vinhos, na feira de vinhos, com dinheiro no banco e com várias opções adicionais no espaço para os empresários de vinho.

Avaliação:

Número de jogadores: entre 2 e 4

Tal como uma boa parte deste tipo de jogos, é mais equilibrado a 4 jogadores e é também assim que eu mais gosto de jogar. Convém referir que a 4 jogadores os erros pagam-se caro e o espaço de manobra é muito apertado, pois é mais difícil vender vinho, logo o dinheiro escasseia e consequentemente o desenvolvimento da vinha fica bem mais difícil.

No entanto, o jogo escala bem conforme o número de jogadores e joga-se muito bem também a dois e a três, sendo até talvez um pouco mais leve e de maior agrado para algumas gamers.

Interacção entre jogadores: surpreendentemente muito interactivo

Não são raras as vezes em que as opções de um jogador são fortemente influenciadas pelas escolhas dos oponentes, se não vejamos:

Multiplicadores (formas de potenciar os pontos no final do jogo) no espaço para os empresários de vinho – Durante o jogo e no seu final podemos enviar barris de vinhos para multiplicar determinados feitos durante o jogo (ex: x pontos por vinha, x pontos por adega, x pontos por enólogo, etc) e pode ser tão importante ocupar o multiplicador que maximiza a nossa pontuação como ocupar o multiplicador que seria mais benéfico para o nosso adversário.

Escolha de acções – Para escolher as nossas acções, temos que nos deslocar para uma determinada área do rondel, sendo que se já lá estiver outro jogador é devido o pagamento de um bago (a moeda do jogo) ao jogador que já lá estava.

Feira do vinho – É uma espécie de corrida mas com a qualidade de vinho apresentado em feira, como corrida que é a interacção é elevada.

Reputação de regiões demarcadas – Podemos sempre utilizar em nosso benefício a reputação de uma região demarcada que foi arduamente obtida por outro jogador.

Venda de vinhos – Podemos bloquear espaços de venda de vinho e impossibilitar o adversário de vender vinho.

Há muitas opções para interagir com o adversário e para uma boa parte delas, a interacção até é forçada e não temos forma de evitar.

Image courtesy of damnpixel from BGG

Tempo de jogo: aproximadamente 40 minutos por jogador

Nos primeiros turnos as opções que os jogadores têm são mais ou menos evidentes e o jogo é relativamente rápido, mas a partir de determinada altura do jogo as decisões ficam mais difíceis em virtude de haver um maior leque de hipóteses e fazendo com que a duração de cada turno aumente.

Assim, é normal que a partir de determinada altura os jogadores demorem um pouco mais de tempo a tomar as suas decisões, o que por si não é um problema grave, porque dá-nos tempo para pensar melhor nas nossas jogadas.

Dependência de língua: não tem

O jogo não tem qualquer dependência de língua e inclusive tem as regras em Português.

Componentes: há muitos e de elevada qualidade

Cada jogador tem um tabuleiro individual funcional onde desenvolve a sua vinha.

O tabuleiro principal está cheio de informação, o que pode ser assustador na primeira vez que se joga, a saber: tem desenhado o mapa de Portugal com as várias regiões demarcadas (só é pena é faltar a Madeira e os Açores, mas talvez haja aqui uma oportunidade para uma expansão ), tem o mercado de vinhos nacional, tem o mercado de vinhos internacional, tem a feira de vinhos, tem o banco, a zona do investimento e o espaço para os empresários … tem muita informação mesmo.

Ainda acerca do tabuleiro, é justo referir que contem simbologia com quase todas as regras do jogo, o que é bastante útil.

As barricas de madeira usadas como marcadores são giras e temáticas, o dinheiro do jogo vem em pequenas peças de cartão que se chamam “bagos” e o vinho vem representado também em pequenas peças de cartão numeradas consoante a qualidade da produção e com dupla face para o vinho tinto e o vinho branco.

Há ainda peças em cartão para determinar a meteorologia, há peritos em vinho, adegas e casas vinícolas.

Para finalizar, há também uns meples que representam os enólogos.

Image courtesy of GekoPL from BGG

Tema: até cheira a vinho …

Como eu gostava que todos os eurogames tivessem um tema tão bom como este.

É provavelmente o eurogame que conheço em que o tema está melhor integrado nas mecânicas de jogo, pois quase todas as acções possíveis fazem sentido no contexto do que deverá ser o negócio do vinho.

Image courtesy of GekoPL from BGG

A minha opinião

Actualmente, Vinhos é o jogo de criação nacional melhor classificado no BGG e só não está mais acima na lista porque o jogo é muito pesado e agrada mais a uma minoria de gamers.

Vinhos é um jogo muito bem concebido, rico em estratégia e em que cada decisão que os jogadores tomam é importante para o seu desempenho final.

Após jogar umas quantas vezes, deu para perceber que o jogo não é monótono e que tem muita jogabilidade, pois há várias estratégias diferentes para experimentar e a interacção que existe entre os jogadores faz com que os jogos sejam sempre diferentes.

O que eu gosto:

– O tema é muito giro e integra na perfeição com as mecânicas.

– É apertado e todas as decisões parecem ser importantes para o resultado final do jogo.

– Tem diversos caminhos diferentes para atingir a vitória.

– Dá a sensação de que estamos mesmo a desenvolver um negócio.

– É de um designer Português e é sobre Portugal.

O que eu não gosto:

– Ensinar as regras é um pesadelo.

– Por vezes o downtime é maior do que devia.

– Falta a representação da Madeira e dos Açores.

Ligações:

Site da What’s Your Game?-> AQUI

Ficha BGG -> AQUI

Vídeo explicativo em inglês -> AQUI

Comprar:

Jogo na Mesa -> AQUI

 

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