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Ranking

2014/04/21

SinteseCapa

Editora: Hans Im Gluck
Autores: Stefan Dorra e Ralf Zur Linde
Grafismo: Klemenz Franz
Jogadores: 3 a 5 Jogadores
Idade: +8 Anos
Duração: 15-30 Minutos
Ano de Publicação: 2010
Género: Dedução    Bluff    Party Game
Dependência Linguística: Média
Preço: 25€

FincaRanking é um jogo de Stefan Dorra e Ralf zur Linde; não se pode dizer que sejam autores da primeira linha, mas ambos já conquistaram o reconhecimento pelo seu trabalho; Dorra com jogos como “Medina” e “For Sale”, Linde essencialmente com “Finca”, que merecidamente recebeu uma recomendação Spiel des Jahres e até ganhou um tile de tributo neste novo lançamento (na imagem).
HIGA primeira publicação é da alemã Hans Im Gluck, regra geral sinónimo de eurogames a meio termo entre o “leve” e o “pesado”, ou seja, já com uma boa dose de estratégia envolvida (até porque a HIG compactua com a Schmidt, a qual costuma apresentar os títulos mais “simples”).Carcassonne Surpreende pela sua simplicidade, além de ser um jogo com um ar até bastante infantil, nada dentro do padrão habitual da marca do touro, que nos trouxe, entre outros, jogos do ano como Thurn & Taxis e Carcassonne (também com tributo).
Este é um jogo um pouco “Dixitiano”; se tivesse saído antes de Dixit, seria este a ser um jogo “Rankingano”, se é que me faço entender… Fica a ideia de que os autores jogaram Dixit e quiseram dar-lhe um twist, ao estilo “house rule”, com uma variante de definição de posições. Se assim foi, de facto conseguiram e devem ter identificado uma oportunidade para editarem mais uma obra; contudo, quanto mais tempo levassem até a editar, maior seria o risco de a associarem ao “globetrotter” de Jean-Louis Rubira, e, talvez por isso, o jogo apresente lacunas básicas, quer na jogabilidade, quer na edição.
Mas vamos ao jogo em si. Ranking é o nome perfeito para um jogo inteiramente viciável, onde o objetivo é somar pontos, mesmo que para isso seja preciso fazer bluff, jogo sujo, insólitas denúncias ou até ser pouco coerente na argumentação. Na verdade tudo vale para ganhar e como o target parece ser o público mais jovem, esqueceram-se de que o jogo até poderia ter interesse para os graúdos…
Objectos 5Objectos 1Objectos 2Objectos 3Objectos 43 a 5 jogadores recebem 6 tiles (minha sugestão: os jogadores podem combinar uma mão mais vasta, talvez 8 ou 10) com uma ilustração bem desenhada e facilmente identificável, embora ao estilo cartoon (na imagem). Estes tiles devem ser vistos apenas pelo próprio jogador e mantidos ocultos à sua frente.

Perguntas Rio GrandePor ronda um dos jogadores retira um cartão de perguntas do saco de pano e escolhe uma das suas duas faces (variante oficial: poderá ser definido no início qual a face a usar, pois uma é azul e a outra é vermelha), colocando a pergunta no topo da torre (que é composta por duas peças que se encaixam como um puzzle), de modo a que todos a vejam. Atenção que este é um jogo com algum fator de dependência linguística, neste caso em alemão, existindo também edição em inglês, da Rio Grande (minha sugestão: para acabar com a DL jogar ao estilo Dixit, escolhendo o primeiro jogador de cada ronda uma questão, da sua autoria).
Após o anúncio da pergunta, por exemplo, “O que atrai mais as mulheres?”, cada jogador escolhe um tile da sua coleção de 6, ao estilo Dixit, ou seja, o tile que melhor se possa fazer passar pela resposta (ou não, já veremos) e coloca-o oculto, no centro da mesa; juntam-se mais alguns tiles ocultos do stock geral da mesa, até termos um total de 7, altura em que todos são baralhados e depois revelados.
InicioA torre que tem agora a pergunta no topo serve de expositor do ranking, com 7 posições entre 0 zero e o seis. De início todos os tiles são colocados na posição 3 e a corrida começa. Por turno, cada jogador escolhe dois dos tiles que estejam no mesmo patamar e altera o ranking de ambos, subindo um e descendo o outro uma casa, respetivamente. O processo continua de jogador em jogador, até ao momento em que hajam tiles na posição 6 e 0 em simultâneo, não importando a posição dos restantes.
IdentificadoresCada jogador dispõe de quatro identificadores (coroas de madeira pintada) na cor de cada um dos seus adversários (identificados pela figura colorida de um rei) e, ao longo da ronda, embora apenas na sua vez, pode ir tentando desmascarar o objeto com que os seus adversários contribuíram, colocando em cima do tile suspeito a coroa da cor do alegado proprietário.
Fim de rondaChega a altura de fazer a pontuação da ronda. Cada jogador revela qual o seu objeto e recebe tantos pontos quanto a posição em que o tile ficou posicionado no ranking. Há agora que descontar um ponto por cada coroa na cor do proprietário que tenha sido colocada no tile; coroas na cor dos adversários não têm influência. A pontuação final (Ranking menos o número de coroas que o desmascararam) pode agora ser registada na torre, através do uso de uma pequena seta na cor do jogador, subindo tantas posições quantos os pontos a registar.
O processo repete-se até à ronda em que um jogador totalizar 15 ou mais pontos e ser declarado o vencedor. Normalmente, 4/5 rondas são jogadas, sendo necessárias pelo menos 3.

O jogo tem algum sumo, mas apresenta muitas lacunas que o prejudicam bastante e impediram de receber melhores críticas. Creio que com mais playtesting e uma edição mais cuidada poderíamos estar perante um jogo bem mais composto, ou, pelo menos, não tão mal visto. Vejamos:

  1. Em primeiro lugar creio que o target não foi bem definido. O aspeto infantil da caixa e dos componentes não corresponde à jogabilidade, que é claramente de um jogo de adultos. Regra geral, crianças não costumam jogar a jogos de adultos e os adultos só costumam jogar a jogos de crianças quando o fazem mesmo com crianças, o que não é o caso, há uma infinidade de jogos bem mais adequados, quer a uma, quer a outra situação… Ou seja, temos um jogo para ninguém!
  2. Em segundo lugar salientar que editar um jogo não é só estoirar orçamento em componentes de grande qualidade e encomendar a arte a artistas habilitados. Há muito mais que se exige, como que o jogo tenha pés e cabeça e, acima de tudo, que seja um jogo sério, em que ganhe quem jogou melhor (ou mesmo quem tenha tido mais sorte), mas nunca aquele que ludibriou os companheiros, dizendo que colocou um tile que não o seu. Em Ranking isso é possível, pois com a entrada de tiles aleatórios para completar a oferta, por vezes o que mais se adequa à questão até nem é de ninguém, ficando à mercê de qualquer chico-esperto dizer que foi o que tinha escolhido. Cabia ao editor ter prevenido esta situação, é para isso (entre outras coisas) que o playtesting serve… Bastava que os jogadores escrevessem qual o seu objeto num pedaço de papel, por exemplo (sugiro que todos o façam, para evitar os engraçadinhos).
  3. Em terceiro lugar, e mais uma vez a denunciar um pobre ou inexistente processo de playtesting, o método de identificar qual o tile de cada adversário é bastante confuso (o como, quando e em que ordem não está devidamente definido) e pouco recompensante, pois apenas prejudica o jogador visado, não proporcionando qualquer benefício a quem fez a aposta correta, deixando uma sensação incómoda em quem o conseguiu com sucesso. Bastava que cada jogador tivesse um número nas suas coroas a indicar que aquela aposta tinha sido feita por si, por exemplo, ou que cada jogador tivesse um formato específico de identificador. Cada jogador ficaria muito mais satisfeito por obter proveitos da sua correta dedução, do que sentir-se igual aos que não prestaram atenção ao jogo e colocaram as coroas como os números do totoloto…
  4. Em quarto lugar surge a incoerência, mais uma vez fruto da falta de playtesting. Querem que um jogador some 15 pontos para ganhar, mas para aproveitar a belíssima arte escolheram a torre como contador dos pontos; ora a torre começa no 0 e vai até ao 6 e segundo o processo referido no manual o marcador inverte o sentido no telhado, na posição 8, começando então a descer até sair da torre por completo. Meus senhores, qualquer jogador pensará que tem 6 pontos quando estiver no 6º piso, mas não, nessa altura tem 7, pois o primeiro ponto é contado no zero, o que não lembra a ninguém. Além disso, para dar corpo a esta aberração da pontuação, o marcador dos pontos é uma seta (que com qualquer pequeno toque se vira), para poder indicar o sentido do movimento de cada jogador (para cima ou para baixo), ou seja, mataram uma galinha para fazer caldinhos para outra! Bastava uma régua de pontuação do lado esquerdo da torre, de 0 a 15, por exemplo, seria muito mais útil e ficaria bem mais engraçado!
  5. Em quinto lugar trago nova falha editorial, esta menos grave que as anteriores, que é a ausência de um marco de jogador inicial, pois ronda a ronda este altera-se. Uma falha que é até frequente entre os editores, e que facilmente seria ultrapassada…

Componentes:
TudoAqui reside o ponto mais forte do jogo. Os componentes são muito bonitos e de grande qualidade. As pequenas setas usadas para assinalar a pontuação de cada jogador são robustas e nunca antes tinha visto igual, tal como as coroas identificadoras, que podem muito bem ter sido encomendadas especificamente para este jogo, não seria a primeira vez que a HIG o faria. Os tiles são imensos e muito resistentes; o artwork não sendo o melhor dos melhores, é também bastante aprazível. A torre e as figuras do rei são engraçadíssimas e o recorte do material foi muito primoroso; destaco ainda o detalhe da ilustração do verso da torre, um mimo muito engraçado. InsertA ilustração frontal da caixa é cativante e representa uma viagem aos tiles que compõe a obra; dentro encontramos quatro divisórias ilustradas com as imagens dos tiles (à direita), tão contagiantes que nos apetece começar logo a jogar, havendo espaço para guardar tudo bem arrumado, dentro dos saquinhos zip que estão também incluídos.

Set-up:
Ranking é um jogo que se começa a jogar num instante. As regras são muito fáceis de explicar e este até é um daqueles jogos em que se pode ir explicando enquanto se joga, pois “uma mão lava a outra”. O set up consiste em virar todos os tiles de face para baixo, misturá-los e distribuir 6 a cada jogador, juntamente com o seu rei e as coroas na cor de cada um dos adversários. É também preciso montar a torre, unindo as duas peças que a compõe, e depois colocar a seta de cada jogador por baixo da torre, junto ao ponto 0 da mesma. As questões supostamente estarão já guardadas no saco, prontas a entrar em jogo. Quem preferir pode usar réguas de disposição de tiles que tenha como acessório ou parte de outro jogo, por exemplo, as do “Blockers”, tornando-os facilmente acessíveis, em vez de o jogador ter de os espreitar cada vez que precise.

Jogabilidade:
Ranking proporciona um sem fim de possibilidades, dependendo do estilo de adversários. É um jogo rápido (a caixa diz 30, mas creio que cerca de 15 minutos são suficientes) mas que permite algumas taticas e muito bluff, podendo um jogador optar por colocar um tile que seja uma boa resposta à questão e esperar que os adversários o façam subir no ranking (se o próprio o fizer subir arrisca-se a perder muitos pontos com os identificadores), ou então colocar um que não seja tão bom, esperando que se mantenha no centro e procurar garantir alguns pontos, livres de “descontos”, digamos assim…
É também possível manipular maliciosamente o ranking para desvalorizar os tiles dos adversários, como por exemplo, dizer que o que mais atrai as mulheres é uma bola de futebol e não um perfume, ou que é um comboio, desvalorizando um carro desportivo! Este processo de arruinar o jogo adversário representa um verdadeiro “o rei vai nú”, mas que proporciona um estilo divertido ao jogo, que não sendo propriamente um “party game”, também não lhe fica muito longe.

ReisAvaliação:
Estamos perante um jogo que podia ser fantástico, mas cujo caminho editorial não lhe permitiu maiores voos. Para quem gosta de jogar o jogo tal como lhe é apresentado, Ranking é um jogo que não recomendo; a quem não se importa de espremer o sumo e lhe acrescentar alguns ingredientes (house rules), recomendo Ranking, porque é um jogo rápido, que se explica em instantes e que consegue cativar tanto jogadores experientes, como iniciantes.
Cheira muito a Dixit, mas consegue ser diferente o quanto baste para não ser considerado um parente próximo. A quem gosta de um recomendo também o outro, se bem que não possamos esquecer que este tem alguma dependência linguística – Atenção!
Ponto Forte: Os componentes, fantásticos!
Ponto Fraco: As regras, inexploradas!

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